Ao longo do ano de 2016 foi aprovado para uso no Brasil duas novas medicações genericamente classificadas como agentes anti-fibroticos. Desse modo, hoje são disponíveis comercialmente duas novas drogas para tratamento da fibrose pulmonar idiopática (FPI): a pirfenidona (nome comercial Esbriet) e o nintedanibe (nome comercial Ofev).

As duas medicações são quimicamente bem diferentes e atuam por mecanismos de ação, ao que tudo indica, distintos. Esbriet é distribuído no Brasil pela empresa Roche, enquanto Ofev pela empresa Boehringer Ingelheim.

Muito tem se falado acerca dessas duas drogas, as quais constituem o primeiro tratamento medicamentoso realmente efetivo para a FPI.

Ambas as drogas foram aprovadas para uso nos Estados Unidos a partir de evidências científicas que mostraram redução do ritmo de queda da função pulmonar com o seu uso. Ou seja, tais medicações não revertem as anormalidades já estabelecidas pela doença, mas sim reduzem o ritmo de progressão do processo. Análises adicionais, com dados de vários estudos agrupados, indicam que ambas as drogas também podem levar a benefícios em sobrevida.

Existe uma série de fatos que precisam ser enfatizados sobre o emprego dessas duas novas medicações:

  • No momento elas estão indicadas apenas para pacientes com a doença FPI (Fibrose Pulmonar Idiopática). Elas não estão indicadas para outras formas de fibrose pulmonar, tais como pneumonite de hipersensibilidade crônica, acometimento pulmonar por doenças reumáticas, doenças pulmonares induzidas por poeiras inorgânicas, etc.
  • Apesar de existirem estudos em andamento sobre a utilidade dessas drogas em outras doenças pulmonares fibrosantes, além da FPI, no momento, não há evidências científicas suficientes para usa-las nessas outras moléstias.
  • São medicações caras e que podem cursar com efeitos colaterais relevantes. Portanto, atualmente, devem ser prescritas apenas em casos bem caracterizados de FPI.
  • As chances de respostas satisfatórias ao tratamento, ao que tudo indica, são maiores em pacientes com FPI não muito avançada.
  • No momento não há indicação para uso das duas drogas em conjunto.
  • Admite-se que, se um paciente em uso de uma das medicações mostrar progressão da doença, ela possa ser trocada pela outra.
  • No momento não está claro se alguma droga é de eficácia superior a outra. Por isso, a indicação de uma ou outra medicação vai depender da possível existência de contraindicações para alguma delas pelo paciente, preferência pessoal do médico assistente, disponibilização pela rede pública de saúde, ou ainda intolerância grave apresentada pelo paciente frente a um dos medicamentos.
  • Tais medicações ainda não são fornecidas rotineiramente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).