Pacientes com fibrose pulmonar, independentemente da sua causa, frequentemente sentem falta de ar para fazer atividades físicas. Na verdade, muito comumente esse sintoma é que faz o paciente procurar o médico.

Devido à falta de ar os pacientes acabam limitando a realização de atividades físicas em casa e no trabalho. Como consequência, a musculatura do corpo, em especial das pernas e braços, é menos utilizada e tende a se atrofiar. O surgimento de musculatura fraca contribui para piora ainda maior da capacidade de exercício dos pacientes. Na verdade, músculos dos membros mal condicionados limitam a capacidade de exercício dos doentes e contribuem para piora da falta de ar.

Alguns estudos publicados na literatura já mostraram que a realização de exercícios pode ser boa para pacientes com fibroses pulmonares. O treinamento físico pode levar a aumento da distância caminhada em testes padronizados, melhora da qualidade de vida e alguma redução da falta de ar. Infelizmente tais benefícios tendem a desaparecer, se os pacientes não mantiverem continuamente algum grau de atividade física a longo prazo.

Portanto, hoje está claro que o sedentarismo não é bom para pessoas sadias, nem para pacientes com doenças pulmonares!

É importante que os pacientes com fibrose pulmonar discutam a questão da realização de exercícios com os seus médicos. O médico é quem conhece as condições clínicas do doente, incluindo a existência simultânea de possíveis doenças do coração. Desse modo, médico e paciente poderão chegar a uma estratégia possível e individualizada, em comum acordo.

Algumas possibilidades para manutenção da atividade física pelos doentes com fibrose pulmonar são listadas abaixo:

  • Entrar em um programa formal de reabilitação pulmonar. Tais programas foram concebidos originalmente para pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), mas acabam por incluir doentes com insuficiência respiratória crônica devido diferentes causas. Geralmente acontecem em hospitais ou clínicas, após minuciosa avaliação médica e sob supervisão direta de fisioterapeutas e, eventualmente, educadores físicos. Os programas de reabilitação pulmonar costumam envolver caminhada em esteira ou uso de bicicleta ergométrica e exercícios para membros superiores. As sessões acontecem entre duas ou três vezes por semana, geralmente ao longo de 12 semanas. Depois disso podem ocorrem sessões de manutenção em menor frequência. Na dependência da gravidade do doente poderá ser necessário o uso de oxigênio durante as atividades físicas. Essa é a melhor forma de treinamento físico para os pacientes com fibrose pulmonar. Nela eles são orientados e continuamente supervisionados por profissionais habilitados para conseguir o máximo do tratamento, sem colocar em risco a saúde dos pacientes. Infelizmente, no Brasil ainda são poucos os centros de reabilitação pulmonar disponíveis.
  • Para aqueles que não possuem acesso a centros de reabilitação formais, acreditamos que a realização de caminhadas diárias entre 20 e 30 minutos ao dia pode ser benéfica. Pode-se começar com caminhadas de 20 minutos três vezes por semana e, à medida que a tolerância ao exercício for melhorando, atingir a frequência diária. Nesse tipo de treinamento o grande limitante da intensidade da atividade física será a sensação de falta de ar. É importante que o paciente caminhe sempre no seu próprio ritmo, respeitando suas limitações respiratórias e, eventualmente, as provocadas por doenças reumáticas associadas. As caminhadas devem ser feitas em terreno plano e não acidentado para minimizar o risco de quedas. Se o paciente já usa oxigênio, ou com o exercício exibe quedas da saturação de oxigênio abaixo de 90%, a atividade física deverá ser feita com uso simultâneo do gás. Nessa situação, o uso de um dispositivo portátil de oxigenação pode ser útil, ou então poderá se lançar mão de uma esteira com o dispositivo de oxigênio não móvel ao lado. Em qualquer situação a saturação de oxigênio deverá se manter sempre acima de 89% durante qualquer atividade física.
  • Para pacientes com doença muito inicial pode ser aceitável a frequência a academias, desde que o médico assistente não veja risco nessa estratégia. Contudo, não recomendamos essa abordagem para pacientes que exibam doença claramente estabelecida com queixas de dispneia. Academias não estão estruturadas para atendimento de urgência em portadores de doenças graves. Do mesmo modo, na grande maioria das vezes, educadores físicos e personal trainners não estão familiarizados com os procedimentos adequados para doenças incomuns e potencialmente graves como as fibroses pulmonares.

É importante que mesmo os pacientes intensamente dispneicos e com graves limitações de movimentação façam alguma atividade física em seu cotidiano. Atividades simples como andar um pouco no quintal ou comprar um jornal na esquina são importantes para manter o condicionamento físico e melhorar aspectos psicológicos e do humor. Ficar o dia todo em frente da televisão ou do computador é algo a ser energicamente combatido.