Muitas doenças podem levar ao surgimento de cicatrizes difusas nos pulmões. As mais importantes são discutidas a seguir.

A respiração de algumas poeiras em altas concentrações no ambiente, geralmente durante o exercício de atividades profissionais, pode levar a doenças chamadas genericamente de pneumoconioses. Exemplos dessas partículas são a sílica e o amianto. Embora as pneumoconioses possam causar cicatrizes nos pulmões, normalmente são facilmente identificadas pelos antecedentes ocupacionais do doente. As pneumoconioses estão mais relacionadas com o campo da medicina do trabalho e não são consideradas verdadeiras pneumonias intersticiais fibrosantes.

Certos tratamentos médicos também podem atacar os pulmões causando fibrose. Essas condições costumam ser chamadas de toxicidade pulmonar por drogas. Exemplos dessas situações são a quimioterapia para câncer com bleomicina, o uso prolongado do antiarrítmico cardíaco amiodarona, ou radioterapia aplicada ao tórax. Por isso os médicos investigando quadros de fibrose pulmonar costumam fazer perguntas detalhadas sobre as doenças previas e os tratamentos já recebidos pelos pacientes.

Alguns tipos de reumatismos e doenças imunológicas podem atacar vários órgãos, inclusive os pulmões. Exemplos dessas doenças são a esclerose sistêmica, a artrite reumatoide e o lúpus eritematoso sistêmico. Essas doenças podem causar diferentes tipos de pneumopatias intersticiais fibrosantes, com o estabelecimento de cicatrizes de maior ou menor gravidade. Esse tipo de fibrose pulmonar é uma área da medicina em que pneumologistas e reumatologistas acabam trabalhando em conjunto.

Uma causa frequente de fibrose pulmonar, muitas vezes difícil de ser identificada, é a inalação de partículas provenientes de animais ou micróbios. Como esse material deriva de seres vivos recebe o nome de partículas orgânicas. O tipo de fibrose pulmonar que aparece pela inalação de partículas orgânicas chama-se pneumonites de hipersensibilidade e já foram descritas dezenas de causas para esse problema. No Brasil as principais causas de pneumonites de hipersensibilidade é o acúmulo de bolor em cômodos das casas e a criação de pássaros como, por exemplo, pombos e periquitos. A exposição a penas de aves em travesseiros e edredons também pode causar esse tipo de fibrose pulmonar.

Uma forma importante de fibrose pulmonar é a fibrose pulmonar idiopática (FPI). Ela recebe esse nome porque até os dias de hoje não se conhece ao certo como ela se inicia. É uma doença que costuma atacar mais homens do que mulheres, geralmente depois dos 50 anos de idade, e com história de tabagismo. O tipo de alteração microscópica que aparece nos pulmões de pacientes com FPI é chamada pneumonia intersticial usual e o diagnóstico dessa alteração pode ser feito por exames radiológicos ou, às vezes, requerer biópsias por cirurgia. A FPI é importante por ser o tipo de fibrose pulmonar que costuma apresentar as maiores dificuldades para tratamento e pior evolução.

É importante lembrar que algumas formas de fibrose pulmonar podem atacam vários membros de uma mesma família. Essa é uma doença genética que recebe o nome de fibrose pulmonar familiar. Nosso conhecimento sobre esse tipo de fibrose pulmonar ainda está no começo.

Finalmente, existe uma doença que pode atacar diferentes órgãos ao mesmo tempo chamada sarcoidose. Os pulmões são frequentemente atados pela sarcoidose, mas ela também pode aparecer na pele, olhos, gânglios linfáticos, fígado, baço, coração, ossos e sistema nervoso. A sarcoidose não é muito comum no Brasil e, às vezes, pode ser confundida com tuberculose. Embora sarcoidose deva ser sempre considerada no diagnóstico diferencial das doenças que levam a fibrose pulmonar, ela costuma ser estudada separada das chamadas pneumonias intersticiais fibrosantes, devido às suas manifestações em outros órgãos.