Pacientes com qualquer das diferentes formas de fibrose pulmonar podem necessitar do uso de oxigênio em fases mais avançadas da doença. Oxigênio é um gás medicinal e para o seu uso deve-se obter uma prescrição médica. Como oxigênio é uma forma de tratamento, deve ser prescrito pelo médico que atende o paciente. Uma vez prescrito, o seu uso pode ser supervisionado por outros profissionais da saúde como enfermeiras, fisioterapeutas, etc.

Na análise da necessidade do uso de oxigênio pelo paciente, os dados mais importantes empregados pelo médico são a gasometria arterial e a medida da oxigenação pelo oxímetro de pulso, ambas medidas realizadas com o paciente em repouso. Não há discussão que o uso de oxigênio estará indicado quando a pressão de oxigênio arterial for inferior a 55 mmHg. Na dependência da condição clínica do doente e, principalmente, se houver outros problemas associados como, por exemplo, elevação da pressão da artéria pulmonar, o tratamento poderá ser indicado com valor de pressão de oxigênio arterial inferior a 60 mmHg. Ao se empregar o oxímetro de pulso para medir a saturação arterial de oxigênio, a indicação do uso desse gás é feita quando o valor for igual ou menor a 89%.

O oxigênio também poderá ser indicado quando a saturação de oxigênio for igual ou menor a 89% durante a realização de atividades físicas como, por exemplo, caminhar ou tomar banho. Para detecção dessa situação geralmente são feitos alguns testes simples de exercício no consultório ou em ambiente hospitalar: o teste da caminhada dos seis minutos em um corredor, ou o teste do degrau empregando uma escadinha.

Se o paciente mostrar saturação arterial de oxigênio igual ou menor a 89% em repouso, deverá utilizar oxigênio o dia todo, inclusive quando dorme. Se o problema ocorrer apenas durante o exercício, deverá utiliza-lo durante as atividades físicas e logo depois, em repouso, até o momento da melhora da saturação.

O uso de oxigênio, quando bem indicado, tem muitos efeitos positivos, especialmente para o sistema circulatório e o coração dos pacientes. Note que, nem sempre vai haver melhora da falta de ar com esse tipo de tratamento. Na verdade, oxigênio não é tratamento para falta de ar. O seu uso deve ser guiado pelo emprego do oxímetro de pulso e não pelo grau de falta de ar ou da dificuldade respiratória do paciente.

O fluxo de oxigênio do aparelho utilizado deve ser regulado para que o paciente tenha uma saturação no oxímetro de pulso sempre acima de 90% e perto de 93%. Na maioria das vezes esse objetivo é alcançado com fluxos de oxigênio entre 1 e 2 litros por minuto. Com muita frequência pode haver a necessidade de aumentar o fluxo em mais 1 litro por minuto durante o sono. Não é necessário, nem recomendável, que se atinjam valores de saturação maiores do que 95%, muito menos igual a 100%. Há sugestões de que oxigênio em excesso pode causar uma situação potencialmente deletéria ao organismo, conhecida como aumento do estresse oxidativo.

Alguns pacientes e familiares acreditam que o oxigênio deva ser usado apenas algumas horas por dia, para evitar que o paciente fique “viciado” no uso desse gás. Essa crença não tem fundamento! Na verdade, todo ser humano já nasce “viciado” em oxigênio e quando não são mantidos níveis satisfatórios desse gás no sangue podem surgir muitas complicações.

Quando bem indicado e adequadamente utilizado, o oxigênio traz benefícios para o coração, circulação dos pulmões, cérebro e músculos do corpo. O seu uso pode levar a menor necessidade de internações hospitalares, melhora da qualidade de vida e, ao que tudo indica, aumento da sobrevida dos pacientes com fibrose pulmonar.